quarta-feira, março 28, 2007

Prosa Poética (em recurso dialético)

[preâmbulo]

- Muié...
- Diga!
- E se a lua, danada que fosse, se adecidisse pará de andar e nos deixasse tudinho na escuridão do mar refletido e por acaso num houvesse de deus um grito que a pusesse no lugar?
- Ora, hômi! Que fosse a lua se atrever do sol escondido, que ele mesmo, por todas as fontes, sairia detrás da linha do horizonte e não haveria pedido que fosse, dirigido à pessoa sua, que impedisse o sol de engolir a lua!

sábado, março 24, 2007

Cortejo

Caboclos e mestiços. Mestiço como todo brasileiro. Santo como todo brasileiro. Tal qual os milhares de brasileirinhos que percorrem ruas e mais ruas. Andarilhos incertos. Percebente como estado, enquanto sobre minhas mãos alfaias e xequerês berravam, ora estridentes, ora graves demais, em silvos construtores de uma harmonia que se difundia ao longo do bairro da Lapa. Soube, naquele instante, em que não pensava em nada, apenas na concepção rítmica e de como talvez pudesse manter-me compassado, que eu era um instrumento: da massificação que convergia num ponto, em densidade estritamente crescente. Agregação pura e simples da mixórdia popular. Eu, brasileiro, como milhares de outros que jamais terão chance de sê-los...

segunda-feira, março 19, 2007

Portas

são portas e mais delas
que comportam os limites de minha casa.
não importa: abertas, fechadas...
...guardam.
as portas que batem, quando escancaradas,
ao vento brusco que as interrompe;
as portas de madeira,
que cheiram a óleo de peroba;
de vidro,
que deixam transparecer o outro lado.
Mas guardam, como guardam bem!

As portas que invadem
a privacidade íntima
do meu pensamento
e guardam consigo
a natureza do poeta,
que se esconde por detrás delas,
atrás de um poema...

quinta-feira, março 15, 2007

Escravo

...possivelmente um escravo. Sem opções, sem rumo...tendo deus como das melhores hipóteses a recorrer.

domingo, março 04, 2007

Comparação

é por ver tanta gente feliz que acabo por me sentir dos maiores tristes...

sexta-feira, março 02, 2007

Monólogo

- por acaso saber-se só já é não estar sozinho.